sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Relatando (2/2)

Vou relatar as quatro aulas de Informática Básica da turma N11 desenvolvidas nos dois encontros da primeira semana de dezembro de 2009.
Na terça-feira 01/12/2009, cheguei um pouco atrasado e abri o Laboratório de Informática 5 às 20:15 ou 20:20. Alguns alunos me aguardavam e outros foram chegando ao longo da aula. Ensinei a função de lógica SE, função útil, versátil e importante no uso da planilha eletrônica. Fizemos alguns exemplos utilizando essa função SE. Eu percebi que a sala estava um pouco mais vazia do que o normal e perguntei para a turma o que tinha acontecido. Um aluno me respondeu que alguns alunos tinham ido embora. Ensinei também como fazer gráficos com a planilha. Como estava ensinando conteúdos importantes, disse:
– Eles (alunos que foram embora) é que estão perdendo porque os conteúdos da aula de hoje são importantes no estudo das planilhas eletrônicas.
Os alunos gostaram da função e sugeriram exemplos de utilização da função SE. Após fazer um histograma, gráfico do tipo coluna com os dados da freqüência simples, o aluno Jorge perguntou:
– Depois de fazer esse gráfico, podemos ir embora?
E eu respondi:
– Verifique se tudo está dentro dos conformes, salve seu arquivo no computador e depois me envie por email.
Reinaldo, outro aluno que também tinha acabado comentou:
– Que bom que acabamos as tarefas antes do final dessa aula, pois assim chegaremos mais cedo em casa e teremos um tempo maior para descanso.
Jorge completou:
– O descanso é necessário para nos recuperarmos antes do inicio de uma nova jornada diária de trabalho e estudo, como vem sendo feito desde que demos inicio a este período letivo.
Os alunos foram terminando e indo embora. Como sempre, me despedi dos alunos, verifiquei se os computadores estavam-se desligados, reorganizei as cadeiras, apaguei as luzes, fechei a porta, entreguei a chave na Inspetoria às 22:30 e fui embora.
Na sexta-feira 04/12/2009, passei a tarefa prática para avaliação, que consistia em fazer uma pesquisa no site do Senado Federal sobre a quantidade de senadores por partido político e fazer um gráfico do tipo pizza com a porcentagem de cada partido na composição do nosso Senado.
Os alunos foram chegando e começando a fazer essa tarefa. Como era de costume, perguntei aos alunos que faltaram na terça-feira anterior o motivo. Um deles me respondeu:
– Professor, na terça-feira eu tive um dia muito cansativo de trabalho, vim para sua aula, mas o laboratório estava fechado. Aguardei sua chegada enquanto conversava com os colegas de turma. Esperei um prazo de 15 minutos, sugerido pelo inspetor, e como isso nunca tinha acontecido logo imaginei que alguma coisa de inesperado teria acontecido, por esse motivo eu e outros alunos fomos embora para nossas residências.
Fiquei chateado, pois tive a sensação de que meu atraso na terça-feira fora o pretexto para irem embora. Havíamos combinado começar as aulas das terças-feiras às 20:15, mas eu sempre chegava antes. Fiquei aborrecido, pois sempre acolhia os atrasos desse e de outros alunos com atenção especial de modo que todos participassem da aula sem prejuízos.
Outros alunos que faltaram, começaram a engrossar o coro da reclamação do aluno descrita acima. Eu me senti ofendido por esses alunos e perguntei:
– O que devo fazer quando vocês se atrasarem? Devo registrar falta e mandá-los embora? Vocês gostariam de serem tratados como estão me tratando?
Expliquei a função SE e os gráficos para os alunos que foram embora na aula anterior. Decidi ser menos compreensivo com os alunos, pois vi que alguns deles não foram compreensivos comigo. O clima ficou ruim, por causa do meu aborrecimento.
O aluno Ilcimar, tentou contemporizar:
– Acredito que o que aconteceu na última terça-feira foi um problema de falta de comunicação, interesse, indisciplina e humanismo dentre outros, pois estamos propícios a erros o tempo todo e não julgo necessário o confronto a falta de respeito e muito menos a ofensa em forma de agressão verbal, que polui o som e transforma o ar de um ambiente que deveria ser o de maior paz e irmandade.
Os alunos foram terminando a tarefa e me enviando seus arquivos por email. Terminei a aula menos chateado, pois as palavras de Ilcimar me ajudaram a entender tal situação. Mesmo assim fiquei com a dúvida: por que o meu atraso representou uma quebra do contrato didático, se o atraso de alguns alunos nunca fora tratado como quebra desse contrato?

Um comentário:

  1. Leo,
    Gostei de ler seu relato.Parabéns pela experiência e por compartilhá-la conosco.
    Um abraço.

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