sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Mudando

Vou continuar trabalhando e postando sobre o PROEJA, mas vou mudar o foco e passar a escrever sobre minha proposta monográfica (Estado da Arte do Programa de Pós-Graduação PROEJA-Ifes 2007-2010). Estou estudando as monografias apresentadas pelas primeiras e segundas turmas nesse Programa e fazendo um pequeno banco de dados para ajudar a divulgar essa pequena produção acadêmica que estou ousando chamar de Estado da Arte.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Caminhando

Notícias do Ifes de 21 de dezembro de 2009: "Campus Serra realiza primeira formatura do Técnico Proeja

No dia 14 de dezembro, formaram-se os primeiros alunos do curso Técnico de Informática Proeja – Educação Profissional Integrada à Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – do campus Serra. A cerimônia foi realizada no teatro do campus, com a presença de familiares dos formandos, alunos e convidados, e da Coordenadora do Proeja, Maria José de Resende Ferreira. Os cursos técnicos da modalidade Proeja fazem parte das ações do Ministério da Educação – MEC – em prol de um ensino médio profissionalizante de qualidade aos jovens e adultos que não puderam dar continuidade aos estudos em idade regular. No Instituto Federal, os cursos são ofertados a muitos jovens e adultos há mais de três anos."

O PROEJA está caminhando em pequenos passos. O SETEC/MEC tem sustendado o programa com financiamento. O Ifes não tem apoiado satisfatoriamente o programa. O estudo monográfico do professor eteviano Suir Martins da Silva, intitulado "O Proeja no Cefetes/Vitória: Dificuldades de Acesso", relaciona várias sugestões para melhorar o acesso dos jovens e adultos ao programa Proeja, mas apenas uma, valor da inscrição no processo seletivo do Proeja, foi adotada. O número de vagas no campus Vitória diminui de 2009 para 2010. E em outros campi, parece que o Ifes está oferecendo as vagas para cumprir alguma exigência sem conseguir atrair os jovens e adultos para o processo seletivo de nossa instituição. O Programa de Pós-graduação Proeja/Ifes enfrenta dificuldades como por exemplo o quadro funcional do PPG.

Ainda bem que existem no Ifes professores como Mateus Silva Ferreira. Leia fragmentos do relato "Quem disse que eles não podem" do Mateus na revista "Sala de aula em Foco - caminhos para ações no Proeja":

"Os alunos das antigas técnicas federais, depois centros federais de educação tecnológica e hoje institutos federais de educação, originários da classe média, por um período bastante longo absorveram os recursos públicos federais destinados ao ensino técnico. A poucos interessava a profissionalização. A maioria fez dessas escolas caminho para a universidade, aproveitando a qualidade de ensino nelas existentes. Enquanto isso, trabalhadores e seus filhos permaneceram fora de suas dependências.
( ... )
A clientela do Ifes está mudando. Outras parcelas da população começam a ter acesso às suas depedências. O professor terá que se adaptar a elas para dar sentido novo ao seu trabalho. Para que isso aconteça, há uma bandeira pela qual lutar - educação de trabalhadores jovens, ou não tão jovens, com qualidade igual à (educação) que havia e ainda há para os filhos da classe média."

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Felicitando

Feliz 2010! Que tenhamos muita paz, saúde e sabedoria. E que o PROEJA cresça em quantidade e qualidade no Ifes, seja adotado nas redes estadual e municipais.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Relatando (1/2)

Eu, Leonardo Polese Alves, sou engenheiro civil e professor do Ifes/Vitória desde 1993. Já lecionei nos cursos técnicos integrados e sub-sequentes das áreas Estradas, Agrimensura e Geomática e no curso tecnólogo da área Saneamento Ambiental. Atualmente ensino Informática Básica no curso técnico sub-sequente de Geoprocessamento. Como na minha Coordenadoria de Geomática não oferece EJA, nunca tinha trabalhado com turmas do Emjat/Proeja.
No final de setembro de 2009, a direção de ensino do Ifes me pediu uma colaboração, assumindo a turma N11 na disciplina de Informática Básica do curso Proeja Metalurgia e Materiais a partir do início de outubro de 2009. A professora Adriana se desligou dessa turma, e Elisa me pediu essa colaboração.
Argumentei com Elisa que minha carga horária estava menor, pois em tinha um licença parcial para cursar especialização no Ppg/Proeja/Ifes/Vitória de 2009/1 até 2010/1. Não conseguir ‘escapolir’ e aceitei ser professor de Informática nessa turma de 02/10/2009 até 16/12/2009. Esse então foi o meu primeiro trabalho pedagógico no Proeja/Emjat. Essa turma tinha muitos jovens e poucos adultos, como as turmas do técnico sub-sequente.
No primeiro encontro com a turma N11, me apresentei e pedi que se apresentassem. A maioria dos alunos da turma N11 trabalhava e estudava. Levando em consideração essa dupla jornada, estudo e trabalho, fizemos um contrato didático, do qual constava: o principal era estar presente nas aulas disposto para aprender e produzir; todas as tarefas seriam feitas nas aulas, praticamente não levando tarefa para casa; os alunos e o professor seriam responsáveis pela aprendizagem dos alunos, ou seja, todos juntos para aprender.
As aulas de Informática Básica nessa turma N11 no semestre 2009/2 se desenvolveram nas terças-feiras (3 últimas aulas, ou melhor, após as aulas da disciplina Gestão) e sextas-feiras (na primeira aula, ou melhor, antes da aula de Química).
Combinamos que nas terças-feiras, faríamos o recreio ou intervalo entre a 2ª e 3ª aula. Ou seja, os alunos saiam da aula de Gestão às 20:00 e faziam o intervalo até às 20:15, quando eu começaria as três aulas seguidas até às 22:15. Nas terças-feiras, eu saía da Coordenadoria de Geomática após o toque do sinal das 20:00, passava na Inspetoria para pegar a chave do Laboratório 5 de Informática e abria esse laboratório às 20:05. Alguns alunos vinham direto sem fazer o intervalo, outros faziam o intervalo e chegavam às 20:15 ou 20:20. Alguns alunos faziam um intervalo maior e chegavam após às 20:40 ou 21:00. Sempre acolhia bem os alunos, não importando o horário de chegada nas aulas de terça-feira. Os alunos que chegavam cedo utilizavam os minutos iniciais para consultar email e navegar na internet. Os que chegavam às 20:15 ou 20:20 pegavam o início das aulas. Os que chegavam mais tarde, 20:40 ou 21:00, quando sentavam sozinhos eram orientados pelo professor até acompanharem a aula sozinhos ou quase sozinhos, mas o professor também orientava os atrasados a sentarem com outros alunos para acompanhar as aulas.
Após os primeiros contatos, percebi que os sujeitos desses modos de ensino profissionalizante, Proeja Médio e Técnico Sub-sequente, são muito parecidos na diversidade e nos contextos sociais. Aproximadamente metade da turma N11, freqüentava assiduamente as aulas. Mas a outra metade tinha freqüência intermitente.
Os conteúdos propostos para serem desenvolvidos no plano de curso de Informática Básica são: sistema operacional, internet, editor de texto, apresentação e planilha eletrônica. A professora Adriana, havia trabalhado os quatros primeiros itens, e eu ensinei a utilização básica das planilhas eletrônicas.
No Laboratório de Informática 5, ensinava a planilha com o projetor e depois percorria a sala tirando as dúvidas do aluno ou da dupla de alunos. Com o tempo, percebi quem tinha mais dificuldades e dei um pouco mais de atenção para esses alunos ou formava uma dupla de um aluno que tinha facilidade com outro que tinha dificuldade. Nas poucas duplas que consegui ajeitar facilidade com dificuldade, pedia ao aluno com facilidade que evitasse o mouse, o teclado ou a solução e que tentasse ser um tutor. No final de cada aula, os alunos enviavam, por email, o arquivo individual contendo acumulativamente todas as planilhas desenvolvidas por cada aluno da N11. Nas sextas-feiras de tarde, eu verificava o arquivos que cada aluno enviara na aula de terça-feira, e na aula de sexta-feira às 18:30 eu informava sobre essa verificação.
Os alunos faltavam mais na aula de sexta-feira. Então, passei a desenvolver atividades práticas de avaliação nessa primeira aula da sexta-feira. Eu propunha uma situação problema oralmente e escrita no quadro, os alunos utilizavam a planilha eletrônica na resolução dessa situação problema e depois me enviavam o arquivo individual por email. Quem não dava conta de apresentar essa solução na sexta-feira por atraso ou falta, tinha oportunidade de concluir o ou desenvolver a solução dessa situação problema na terça-feira seguinte.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Relatando (2/2)

Vou relatar as quatro aulas de Informática Básica da turma N11 desenvolvidas nos dois encontros da primeira semana de dezembro de 2009.
Na terça-feira 01/12/2009, cheguei um pouco atrasado e abri o Laboratório de Informática 5 às 20:15 ou 20:20. Alguns alunos me aguardavam e outros foram chegando ao longo da aula. Ensinei a função de lógica SE, função útil, versátil e importante no uso da planilha eletrônica. Fizemos alguns exemplos utilizando essa função SE. Eu percebi que a sala estava um pouco mais vazia do que o normal e perguntei para a turma o que tinha acontecido. Um aluno me respondeu que alguns alunos tinham ido embora. Ensinei também como fazer gráficos com a planilha. Como estava ensinando conteúdos importantes, disse:
– Eles (alunos que foram embora) é que estão perdendo porque os conteúdos da aula de hoje são importantes no estudo das planilhas eletrônicas.
Os alunos gostaram da função e sugeriram exemplos de utilização da função SE. Após fazer um histograma, gráfico do tipo coluna com os dados da freqüência simples, o aluno Jorge perguntou:
– Depois de fazer esse gráfico, podemos ir embora?
E eu respondi:
– Verifique se tudo está dentro dos conformes, salve seu arquivo no computador e depois me envie por email.
Reinaldo, outro aluno que também tinha acabado comentou:
– Que bom que acabamos as tarefas antes do final dessa aula, pois assim chegaremos mais cedo em casa e teremos um tempo maior para descanso.
Jorge completou:
– O descanso é necessário para nos recuperarmos antes do inicio de uma nova jornada diária de trabalho e estudo, como vem sendo feito desde que demos inicio a este período letivo.
Os alunos foram terminando e indo embora. Como sempre, me despedi dos alunos, verifiquei se os computadores estavam-se desligados, reorganizei as cadeiras, apaguei as luzes, fechei a porta, entreguei a chave na Inspetoria às 22:30 e fui embora.
Na sexta-feira 04/12/2009, passei a tarefa prática para avaliação, que consistia em fazer uma pesquisa no site do Senado Federal sobre a quantidade de senadores por partido político e fazer um gráfico do tipo pizza com a porcentagem de cada partido na composição do nosso Senado.
Os alunos foram chegando e começando a fazer essa tarefa. Como era de costume, perguntei aos alunos que faltaram na terça-feira anterior o motivo. Um deles me respondeu:
– Professor, na terça-feira eu tive um dia muito cansativo de trabalho, vim para sua aula, mas o laboratório estava fechado. Aguardei sua chegada enquanto conversava com os colegas de turma. Esperei um prazo de 15 minutos, sugerido pelo inspetor, e como isso nunca tinha acontecido logo imaginei que alguma coisa de inesperado teria acontecido, por esse motivo eu e outros alunos fomos embora para nossas residências.
Fiquei chateado, pois tive a sensação de que meu atraso na terça-feira fora o pretexto para irem embora. Havíamos combinado começar as aulas das terças-feiras às 20:15, mas eu sempre chegava antes. Fiquei aborrecido, pois sempre acolhia os atrasos desse e de outros alunos com atenção especial de modo que todos participassem da aula sem prejuízos.
Outros alunos que faltaram, começaram a engrossar o coro da reclamação do aluno descrita acima. Eu me senti ofendido por esses alunos e perguntei:
– O que devo fazer quando vocês se atrasarem? Devo registrar falta e mandá-los embora? Vocês gostariam de serem tratados como estão me tratando?
Expliquei a função SE e os gráficos para os alunos que foram embora na aula anterior. Decidi ser menos compreensivo com os alunos, pois vi que alguns deles não foram compreensivos comigo. O clima ficou ruim, por causa do meu aborrecimento.
O aluno Ilcimar, tentou contemporizar:
– Acredito que o que aconteceu na última terça-feira foi um problema de falta de comunicação, interesse, indisciplina e humanismo dentre outros, pois estamos propícios a erros o tempo todo e não julgo necessário o confronto a falta de respeito e muito menos a ofensa em forma de agressão verbal, que polui o som e transforma o ar de um ambiente que deveria ser o de maior paz e irmandade.
Os alunos foram terminando a tarefa e me enviando seus arquivos por email. Terminei a aula menos chateado, pois as palavras de Ilcimar me ajudaram a entender tal situação. Mesmo assim fiquei com a dúvida: por que o meu atraso representou uma quebra do contrato didático, se o atraso de alguns alunos nunca fora tratado como quebra desse contrato?